Celebrar os 50 anos da Constituição da República Portuguesa não é apenas um exercício de memória institucional, mas um resgate do fôlego democrático que interrompeu 48 anos de ditadura. Esta exposição propõe um diálogo visual através de dípticos em duas folhas A5: uma dedicada à herança cinzenta da Constituição de 1933 e outra à luminosidade da "promessa revolucionária" de 1976.
Esta exposição não é apenas uma efeméride, é o desenho de um contraste. Entre as mãos de quem cria, repousam duas folhas A5 — duas dimensões de um mesmo território, dois pesos na balança do tempo. 33/76 propõe uma imersão na "promessa revolucionária" que moldou o Portugal contemporâneo, celebrando os 50 anos de um documento que é, simultaneamente, escudo e horizonte.
Através do gesto artístico do díptico, confrontamos a clausura de ontem com a amplitude de hoje. É um diálogo visual que resgata o fôlego democrático e interrompe o silêncio e a sombra de décadas.
Pedimos a cada artista que transforme o papel A5 num campo de batalha e de celebração. Que cada par de obras reflita este movimento pendular:a rigidez colonial de 1933 frente à luminosidade e ao fôlego de Abril de 1976. Esta exposição é um convite para habitar a possibilidade de um outro país, lembrando que a democracia é um equilíbrio quotidiano, uma solidariedade escrita com o cravo da liberdade.
Como nos deixou Maria Velho da Costa:
"esta lei há-de fazer-nos maiores do que somos".
artistas participantes
Ana Sousa Pereira, David Golias, Dois Terços, Glam, Godmess, Gonçalo MAR, Halfstudio, Jacqueline Arashida, João Murta, Joaquim de Brito, José Anjos, José Feitor, Los Pepes, Love For Rebellion, Mariana PTKS, Miguel Brum, Miguel Januário, MynameisnotSEM, Oker, OutIAm, Ozearv, Patrícia Mariano, Paulo Arraiano, Pedro Loureiro Mojojojo, Sérgio Branco|Pipoca, Sofia Perpétua, Tosco, Zupedestre