Catarina Branco foi forjada no ferro num deserto à beira-mar plantado, talvez por isso ela seja mais permeável ao frio e ao vazio do inverno do que à cor e ao calor do verão. É a vida na zona fluvial do Oeste, um local tão capaz de ser agreste quanto prazeroso, quase nunca nas doses desejadas. E é possível que venha daí a sua pintura de palhaça a preto e branco, onde o vermelho e outras cores típicas não entram: imagem de Acordava Cansada, o segundo longa duração que sucede Vida Plena (2022), e os singles e EPs que tem vindo a lançar desde 2018. É um visual gótico náutico, uma pintura que desbota para a música.
Depois dos soalheiros conjuntos de canções originais (’Tá Sol e Vida Plena) que o antecedem, chega agora o denso e neblinoso Acordava Cansada. Canções começadas no preto e branco do piano, concretizadas no dramatismo e melancolia que o contraste da maquilhagem invoca.
Entrada: 10 BOTAS