Vozes das Independências - Lugar das Novas Nações é um projeto artístico que parte do lugar em que estamos com as tensões humanas presentes, quer nas vivências, quer na memória toponímica das cidades e dos seus bairros. Tendo como ponto de partida a celebração dos aniversários das independências dos PALOP e a reflexão crítica a respeito das segregações na experiência e trânsito de uma Lisboa multicultural, o projeto Vozes das Independências visa criar lugares de encontro e atravessamento por meio da arte.
Produção: BOTA (Base Organizada da Toca das Artes) | Parceiros: Associação Moinho da Juventude, Associação Mocho Mais | Apoios: Dentu Zona, Rádio Olisipo, Fundação José Saramago, Goethe-Institut Portugal, A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, Associação BB Blues, Epopeia, AVM, Blue House | Projeto financiado pela DGArtes - República Portuguesa.
SOBRE O PROJETO
Na vizinhança da BOTA, na freguesia de Arroios, a toponímia explicita as contradições que atravessam e sustentam a cidade de Lisboa: uma Praça das Novas Nações no coração de uma região ainda referida como Bairro das Colónias. Nomes de ruas que celebram as “Antigas Colónias” ou “Novas Nações", numa região na qual a circulação de pessoas, cujas ascendências procedem destes territórios, quase que se restringe aos fluxos de trabalho. A Grande Lisboa, considerada uma das mais africanas zonas urbanas da Europa, é de facto vivenciada de forma segregadora, profundamente contaminada pelos ecos de uma organização colonial nas relações, nos trânsitos, nas formas de habitar os territórios impondo conceitos como periferia a lugares de toponímias semelhantes e populações bem mais diversas.
A BOTA é um espaço de cultura e resistência que, participando ativamente no tecido cultural e artístico da zona de Arroios, também está comprometido com a criação de uma cidade verdadeiramente pós-colonial, para além da adequação de nomenclaturas.
Com o projecto Vozes das Independências, pretendemos colaborar para a amplificação dessas vozes, assumindo um lugar que parte da escuta para a criação de um objeto artístico que dê forma a essas questões e tensões.
O arranque público do projeto é a Chamada Aberta para selecionar até 5 pessoas (preferencialmente com alguma ligação com o território da Freguesia de Arroios, com a Cova da Moura, com a Quinta do Mocho e/ou com os PALOP) que integrarão um coletivo de criação junto dos músicos André Xina, Juninho Ibituruna, Francesco Valente e Rui Galveias.
Em agosto de 2026, este coletivo realizará uma residência artística em espaços de trabalho em Arroios, na Cova da Moura e na Quinta do Mocho. O trabalho imersivo de criação coletiva desdobrar-se-á na forma de um espetáculo e de um disco (cuja estreia acontecerá em novembro de 2026, durante a World Music Week organizada pela BOTA).
Na página do projeto no site da BOTA, um blogue servirá para compartilhar registos das atividades que alimentam esta criação, como a participação da equipa em visitas guiadas e outros eventos promovidos pelas associações parceiras.
Paralelamente, o ciclo de conversas "Centro(s) e Periferia(s)” se propõe como um espaço de conversa pública e convívio em torno das Independências e das contracolonialidades, considerando as formas de ocupação e criação da cidade, e as afetações entre culturas e os trânsitos de pessoas entre territórios (tanto dentro da cidade como entre continentes). Estas sessões decorrerão em espaços públicos em Arroios, na Quinta do Mocho e na Cova da Moura.
Para além da reflexão crítica sobre o lugar a partir do qual falamos, Vozes das Independências é também um convite aos deslocamentos, e a uma experimentação da cidade menos condicionada por mapas coloniais.
FICHA TÉCNICA
Direção geral: Lily Nóbrega e Rui Galveias
Coordenação: Sofia Ó
Consultoria e pesquisa: Beth Olegário
Produção: Lily Nóbrega, César Rodrigues e Sofia Ó (BOTA)
Gestão financeira: Carolina Mourão (Toca das Artes)
Músicos convidados: André Xina, Juninho Ibituruna, Francesco Valente
Direção musical: Rui Galveias