Envolto num certo hermetismo, Caveira tem conseguido manter as suas aparições ao vivo como momentos raros e significativos – marcos distribuídos no tempo como sinais deliberadamente espaçados. Essa precisão manifesta-se também no trabalho sonoro, em gestos minimalistas que coexistem numa tensão produtiva com o peso e a massa sonora que irrompem das colunas, resultado de lições profundamente interiorizadas do “mestre” Sei Miguel. O som eletrizante que incorpora e reconfigura os pressupostos do rock e do noise arquitetado por Pedro Gomes e edificado por Gabriel Ferrandini, Pedro Alves Sousa e Miguel Abras, figuras centrais da cena boémia lisboeta, chega ainda carregado da memória de ficar vivo, álbum editado em 2024.